Estudo liga doença psíquica a maior risco de sofrer violência doméstica

Cientistas revisaram 41 estudos com homens e mulheres em todo o mundo.
Maus-tratos podem ser causa e consequência de distúrbios, destaca autora.

Mulher relata agressões por companheiro usuário de drogas em São Luís (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Mulheres são as maiores vítimas de violência
doméstica repetida (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Pessoas com transtornos mentais podem estar mais propensas a sofrer violência doméstica que a população em geral, revela um estudo feito por cientistas do Instituto de Psiquiatria do King’s College de Londres, em parceira com a Universidade de Bristol, no Reino Unido.
Segundo os autores, cuja pesquisa foi publicada esta quarta-feira (26) na revista "PLoS One", esse é o primeiro trabalho a examinar a relação da violência com vários problemas psíquicos em homens e mulheres, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), bipolaridade, esquizofrenia e distúrbios alimentares. Até então, cientistas só haviam se centrado na depressão.
Para chegar às atuais conclusões, os pesquisadores analisaram dados de 41 estudos anteriores em todo o mundo. Em comparação com as mulheres sadias, aquelas que sofriam de depressão tinham até 2,5 vezes mais chances de sofrer violência doméstica na vida adulta – uma prevalência de 45,8%. As voluntárias com ansiedade apresentavam 3,5 vezes mais probabilidade de sofrer maus-tratos (prevalência de 27,6%) e as com transtorno pós-traumático, até 7 vezes mais (61%).
O sexo feminino teve mais vítimas repetidas de violência grave que o masculino, de acordo com a pesquisa. A professora Louise Howard, principal autora do estudo, diz que os resultados sugerem um caminho de mão dupla, ou seja, a violência doméstica pode levar as pessoas a desenvolver problemas mentais, e indivíduos com distúrbios também já são mais suscetíveis a vivenciar episódios violentos em casa.
O trabalho foi financiado pelo Instituto Nacional de Pesquisa de Saúde (NIHR, na sigla em inglês) do Reino Unido e faz parte de um programa de estudos com duração de cinco anos.
Em todo o mundo, a prevalência da violência física ou sexual em mulheres varia de 15% a 71%. No Reino Unido, a Pesquisa Britânica sobre o Crime de 2010/11 apontou que 27% das mulheres e 17% dos homens do país sofriam abuso por parte dos parceiros ao longo da vida – e elas viam essa situação se repetir com mais frequência.
A partir de março de 2013, o Ministério do Interior britânico vai alterar a definição de violência doméstica para incluir adolescentes entre 16 e 17 anos. O conceito também abrangerá "qualquer incidente ou padrão de incidentes de comportamento controlador, coercivo ou ameaçador, violência ou abuso entre aqueles com idade de 16 anos ou mais que forem ou tiverem sido parceiros ou parentes, independentemente do sexo ou da sexualidade. Isso pode incluir, mas não está limitado a, abuso psicológico, físico, sexual, financeiro ou emocional". 
 
Por G1 São Paulo

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